Em seu novo livro, historiador Roger Osborne apresenta um panorama instigante e moderno do mundo ocidental | Notícias de Fato

Em seu novo livro, historiador Roger Osborne apresenta um panorama instigante e moderno do mundo ocidental

By 26/09/2016Brasil
image004

Há poucas semanas, o mundo relembrou um dos piores atentados terroristas da história. Na época, ao se referir à tragédia americana do 11 de setembro, o então presidente americano George W. Bush descreveu os ataques como “uma declaração de guerra ao mundo civilizado”. Quinze anos depois, ainda é comum ouvir discursos como este, ainda que a própria definição de civilização seja multifacetada, sobretudo no que se refere ao entendimento de que civilização e civilização ocidental são conceitos diferentes.  Reavaliar estes termos e suas acepções é o desafio do historiador Roger Osborne no livro “Civilização: uma nova história do mundo ocidental”.

Osborne apresenta um profundo estudo da civilização ocidental, baseado no reexame dos acontecimentos e dos legados da história. Uma das principais questões que confronta é a ideia de que a civilização ocidental está intrinsecamente associada à liberdade, uma vez que ela já foi responsável por dizimar sociedades ditas primitivas se utilizando de justificativas morais, religiosas e históricas. Neste contexto, o autor recorda que a história do mundo do Ocidente é marcada pelo sofrimento, miséria, injustiça e crueldade e questiona se a guerra, a tortura, a escravidão e o genocídio estariam incluídos no conceito de civilização.

Conectando diferentes esferas do conhecimento, o autor relembra, por exemplo, a mudança na visão sobre a 1ª guerra mundial. Se em um primeiro momento prevaleceu o pensamento freudiano de que o homem teria voltado à barbárie, logo em seguida, uma nova abordagem da psicologia da guerra foi levantada pelos historiadores. A “fera interior” humana defendida por Freud perdeu força quando chegaram à conclusão de que a guerra foi consequência de uma cultura militar europeia deliberadamente cultivada no século anterior, após a queda de Napoleão. O confronto, então, teria sido a resposta automática diante das dificuldades políticas.

Osborne chama atenção também para o fato de muitos aspectos da história ocidental continuarem a ser páginas em branco, já que sociedades e culturas que não tinham língua escrita ficarem fora do nosso alcance e também porque as documentações antes do século XV eram basicamente limitadas a assuntos oficiais. Explorando temas como arte, cultura, religião, exércitos e nações, o historiador cruza o passado e presente do conceito de civilização, indicando as razões pelas quais precisamos reavaliá-lo:

“Só podemos analisar a totalidade da história ocidental com o espírito do presente: conectando valores e acontecimentos, contextualizando ideias que hoje damos por pacificas, integrando a história cultural, filosófica, social e política, e criticando com um saudável ceticismo, a herança cultural e a autoridade venerável.”, declara Osborne.

“Civilização” chega às livrarias brasileiras no fim deste mês de setembro pela Difel, selo da Editora Bertrand Brasil.

Roger Osborne nasceu em Scarborough, na costa norte da Inglaterra. Mudou-se para Londres, onde se tornou editor de obras de medicina, psicologia e história da ciência. Desde 1992, escreve em tempo integral. Com livros como “Do povo para o povo-Uma Nova História da Democracia”, tem inovado a forma de ver o passado e o modo como ele afeta o presente. Osborne também é dramaturgo profissional, com peças encenadas em 2011 e 2013.

Leave a Reply

Powered by themekiller.com