O penúltimo mês do ano sempre representou transição para mim: quase Natal, quase fim do ano, mas ainda não lá. Tempo de começar a arrumar as malas para a viagem de férias. Mudança das folhas que caem, a beleza do outono cedendo lugar para o rigor do inverno lá em cima. Neste hemisfério, a substituição da suavidade da primavera pelo exagero do verão. Onipresente lá é cá, a chuvinha fina.
Em Portugal, ela tem um nome até engraçado: molha-tolos. Enganados por sua aparente leveza, dispensamos o guarda chuva e assim depois de uma caminhada de minutos, chegamos encharcados no nosso destino. Por aqui, ela é a garoa a fazer São Paulo conhecida no Brasil todo. Sem a verve apocalíptica dos temporais de verão os quais esperamos tanto serem encerrados
pelas águas de março, elas nos lembram também a suavidade da qual tanto precisamos.
Novembro tem disso, essa mistura de sensações, tranquilidade ansiosa ou ansiedade tranquila. É a véspera, a espera na antessala, a olhada rápida pela janela do trem para tentar ver a paisagem ainda por vir. Este novembro teve também uma brevidade especial: mal nos demos conta dele e já temos a sua despedida. Rufem os tambores, dezembro vem aí.
Com seus dias mais longos de quase calor e noites mais curtas de quase frio, novembro apazigou, nos fez sorrir - para mim, foi sinônimo de reencontro: comigo mesmo, com meus propósitos e com gente querida, amigas de lugares e momentos de sol as quais eu não via há tempos. Por aqui e por agora, nada de cinza, o céu da cidade é azul profundo sem nuvens.
O que dizer mais, porque dizer mais? Quero ser leve e breve tal qual ele e a chuvinha insistente em cair. Termino aqui ao som da música do Gun N' Roses e espero por outros novembros assim, a nos convidar para irmos para dentro de nós mesmos. E sejamos felizes, ao menos pelos próximos 27 anos e três meses.