Na cidade que (quase) nunca dorme, a noite sempre é iluminada e com ajuda desta luz seus cartões postais parecem ainda mais lindos. As luzes do Municipal, o Banespão vestido de rosa em outubro; de azul em novembro. Neste mês, são todas as varandas e fachadas que com o clima inerente a esta época, dão para a cidade uma aura mágica.
O Natal em SP é bem mais do que a árvore do Ibirapuera e os prédios famosos; ele é feito sobretudo por todos os jardins e casas que iluminadas por dentro e por fora, vivenciam esta época. Como no conto da Lygia Fagundes Telles cujo título eu pego emprestado aqui: a protagonista é a atmosfera natalina onipresente.
Já passei por todos os clichês natalinos possíveis. Fui a criança a sonhar com o chá de sumiço de toda a família para ficar sozinho em casa, aquele da história do Dickens assombrado pelos fantasmas dos natais passados, o outro a sonhar com um milage numa rua não chamada 34. Passei natais terríveis, outros memoráveis; hoje ressignificei essa data e junto dos meus, procuro viver o significado dela. Com menos hipocrisia, menos presentes, mas com um pouco mais de afeto, de verdade.
Meu jardim quase secreto cultivado a tanto custo enquanto a cidade enlouquece lá fora fica em um oitavo andar, num prédio como outro qualquer. No topo da colina onde está, avisto quase tudo, dos arranha céus da Paulista ao Pico do Jaraguá. Todas as noites, vê-las da subida do metrô depois de um longo dia é um consolo, um encorajamento também. Tudo o que me é caro e familiar guardados por luzes brilhantes em amarelo, verde, vermelho e azul que como na canção do Oasis - que muitas vezes escuto com meus fones - after all// you're my wonderwall. Torço para vê-las sempre. Para elas iluminarem não só o meu caminho, mas o de todos, a cidade inteira, o ano inteiro.