E o ano quase acabou. Quase. Já conseguimos ver a linha de chegada, mas ainda não a cruzamos. Dezembro tem disso: quase verão, quase férias, quase o ano novo, onde tudo será novo de novo. E se
já escrevi aqui sobre se estar no meio da corrida, agora penso um pouco no que é estar perto do fim.
Ele nunca indiferente, 8 ou 80. O final da vida, daquele relacionamento, do ano aparentemente sem fim. O fim do dia exaustivo, do trabalho o qual tanto nos consmuiu e cujo término tanto esperávamos chegar. Odiamos ou amamos o encerramento, mas muitas vezes não nos damos conta da sua inevitabilidade. Aqui, o óbvio precisa ser dito: nada é eterno e quer queira quer não, chegaremos lá, nesse temido lugar - o fim.
Ele não é sentença nem desterro, é consequência do caminho pelo qual escolhemos (sim, escolhemos, conscientemente ou não) seguir. Assim, essa reta final, esse quase lá é quando na verdade nos damos conta: é aqui aonde eu queria estar? Essa chegada é mesmo a minha? Cumpri as promessas e acordos feitos lá atrás, quando este ano quase terminado apenas começava? E se não fiz, está tudo bem. O mundo já exige o suficiente e se nós mesmos não formos compreensivos conosco, quem será? Estamos quase lá, mas talvez ainda dê tempo. De dizer o que não foi dito, fazer o que não foi feito - se não tudo, apenas o primeiro passo, ele já muita coisa.
Não acompanho futebol, não entendo nada do assunto, mas aqui a analogia é perfeita: quanto jogo não foi virado aos 45 do segundo tempo? Quanta partida já não foi ganha nos minutos finais, quando tudo já se julgava perdido?
Escrevo deste quase fim de ano, quase verão, de dias de sol e tempestade a nos deixarem sem energia - não só elétrica - e com vontade de que tudo termine logo e o fim próximo chegue de uma vez. Estamos quase lá.