Queimados os fogos, curada a ressaca - os primeiros dias úteis do ano já se foram; 2026 não é mais uma promessa, é este agora. Hora de sacudir a poeira, dar a volta por cima e agir. Como dizia o personagem do Wilker em Senhora do Destino: pois o tempo urge e a Sapucaí é grande.
Se falei aqui
dos quase finais e
dos pontos médios, me debruço agora no começo, este marco também essencial em qualquer jornada. Melhor dizendo, (re)começo. Esta é a mágica de todo ano novo: a possibilidade de jogar fora o que não serve mais, recalcular a rota e começar novamente, pois todos nós em algum momento vamos precisar juntar os cacos e recomeçar - de novo e de novo e de novo.
O começo por vezes é assustador - mais do que ninguém sei eu disso com as minhas infinitas primeiras páginas por preencher. O recomeço então, com o sentimento de fracasso a acompanhar este retorno à estaca zero é ainda mais difícil. Mas é possível - e necessário. Perdi as contas de quantas vezes fiz isto. Abrir mão, deixar ir. Admitir pra mim mesmo (oh, coisa difícil!) o caminho errado e a necessidade de dar meia volta pra entrar nos trilhos novamente.
Claro, falando assim tudo é muito bonitinho, poético mesmo e parece algo fácil - mas não é. Recomeçar exige coragem, determinação, humildade, trinca de virtudes as quais são ausentes, mas que podem ser encontradas. Por aí, em algum lugar. Procuremos.
Como todo ano novo, me vem a vontade de só seguir em frente sem olhar pra trás. Ou se for olhar, que seja como na música do Oasis - with no angry, baby. 2026 promete; mal começou e já mostrou a que veio: nosso cinema premiado (de novo) pelos ianques, ditadores caindo de Maduro, Urach gravando pornô com o próprio filho. Sim, meus amigos, apertem os cintos, teremos um ano turbulento. 2026 não é para amadores; que assim seja. Estamos prontos. E se não estivermos, ficaremos.