Pego carona naquele icônico episódio do Pica Pau pra dar nome a esta nossa conversa e falar deste deslumbre de ver a nossa cultura celebrada pelos gringos - quando muitas vezes por aqui mesmo ela é deixada de lado. Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho e O agente secreto, as verdadeiras Três Graças hoje - je suis desolée, Agnaldo.
Sim, senhoras e senhores,
depois da deusa Fernanda Torres e do diamante lapidado
Ainda estou aqui elevarem o nosso moral em 2025, pelo segundo ano consecutivo só deu a gente. Estufo o peito, abro uma Perrier Jöuet pra celebrar e deixo toda a modéstia de lado afinal como disse o finado Clodovil: humildade é coisa de gente tonta. Celebremos, apenas. Vamos nos achar um pouco, nós merecemos.
Let's drink to that. That's all.
Sem ufanismos, mas somos o país do Nelson Pereira dos Santos, do Glauber Rocha, da Carmem Miranda, da Sonia Braga. Das Fernandas (Montenegro e Torres), do Walter Salles, do Kleber Mendonça Filho e do Wagner Moura também. A gente é foda pra caralh*! E olha que só falei do cinema; se coloco literatura e música aqui, responsáveis por fechar a minha trinca de paixões, a soberba vai tomar conta, o orgulho chegará lá em Marte e eu vou ficar insuportável. Sigamos.
É preciso celebrar, mas botar o dedo na ferida também como fazem os ianques ao escancarar na tela grande o lado B do american way of life e nós as sequelas da ditadura - não por coincidência os verdadeiros protagonistas dos filmes premiados no Globo de Ouro, no ano passado e neste também.
Concordo com o Wagner; se o trauma passa de geração em geração, os valores podem passar da mesma forma. E se houve o 8 de janeiro, houveram ainda estes dois outros dias do primeiro mês do ano os quais nos deram um pouco mais de esperança e nos fizeram acreditar que sim, viver, apesar de tudo, ainda presta.
Berlim, Veneza, Cannes, Nova York, Los Angeles - nosso cinema premiado em todo este circuito mostra que esse Brasil com S, o qual todos nós temos o privilégio de viver merece toda a celebração possível. E que venha agora (de novo) aquela certa estatueta dourada, a qual em tantas outras ocasiões deveria ter sido nossa.