Minha querida,
Mais um ano! Quantos já? Perdoe-me a indelicadeza, Oscar Wilde disse que nunca se deve perguntar a idade de uma mulher; pois se é capaz de dizer a própria idade, então ela é capaz de tudo. Mas tu és sobretudo mulher e sim, capaz de coisas que até Deus duvida, disto bem sei eu. Sampa, Paulicéia Desvairada, Senhora do Planalto de Piratininga.
Antes de mais nada, parabéns. Feliz aniversário! Ainda estamos aqui, tu e eu. Como na fala da Elizabeth Taylor em Quem tem medo da Virginia Woolf - um pouco cambaleante, é verdade, mas ainda de pé. Apesar de tudo. E de todos. Um ano de ti equilavem a décadas de outros lugares mais sossegados, como aqueles com avenidas banhadas pelo mar morno ou os boulevards sombreados pelos plátanos nos quais já habitei. Mas eu fico com o teu caos e sombras de pedra e concreto.
Serei breve, como convém. Devo lembrar: Além do teu, comemoramos um outro aniversário para mim também especial. Meu primeiro ano neste espaço falando de ti, mesmo quando o assunto não és tu, é sempre sobre tu - o que nem sempre é fácil. Pois também és
fracassos,
recomeços,
tragédias,
abandonos -
lutos e ausências também. Mas há
amor e desejo; sonhos,
flores,
possibilidades. Te imagino como um copo: nem meio cheio, nem meio vazio - mas como algo a ser sempre preenchido
Mas vamos fingir que és só uma cidade, como tantas outras. Comum, única, lar de tantos como eu. Terra da garoa, das oportunidades, lugar que nunca pára ou dorme. Mas paramos sim; às vezes dormimos, também - principalmente no ponto. Terra do Paraíso. Da Liberdade. Da Consolação. Todos os clichês, extremos também. Hoje, nada do cinzento sempre imaginado para o céu daqui. Há nuvens, é certo, mas também há calor, como convém a um dia de verão e o sol a me dar força para apagar essas 472 velinhas.
Até breve.