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Crônica

Uma batalha após a outra

O ano que de fato começa depois do carnaval exige sobretudo coragem

Alex Cavalcanti

Alex CavalcantiJornalista de profissão e escritor de coração, nordestino da gema radicado em São Paulo e colunista deste site.

20/02/2026 13h27Atualizado há 4 meses
Por: Alex Cavalcanti
A poesia concreta das esquinas de SP por @luizfelipeads
A poesia concreta das esquinas de SP por @luizfelipeads
Esta não é uma ode ao filme estrelado pelo Leonardo Di Caprio e um dos concorrentes do nosso agente secreto na corrida por aquela certa estatueta dourada. É mais uma pequena divagação sobre o estado perpétuo de dificuldade das coisas. Agora passada a folia, nos resta a dura realidade, o tal um leão por dia. Pois, vamos à eles.
 
Woody Allen disse certa vez que a realidade é dura, mas é o único lugar onde se pode comer um bom bife - minhas sinceras desculpas aos veganos. São Paulo, no seu ritmo implacável e incessante mostra: de fato o melhor é não parar ou então ficaremos para trás e por mais cansativo que seja, muitas vezes a rotina é isso mesmo: batalhas e mais batalhas e mal vencida uma delas, outra já se aproxima. 
 
O desafio além de não esmorecer, é não se deixar levar por esta guerra sem fim, não perder a leveza, o humor, a sensilibade, qualidades tão necessárias, mas por vezes levadas pelas tempestades que alagam e submergem tanta coisa. Quantos não são tragados, embrutecidos, aniquilados pelo dia a dia?  É uma luta árdua e também sem fim não se deixar levar.
 
O ano está aí, todo aberto bem na nossa frente, como um oceano prestes a ser navegado. E como tal, ainda uma incógnita. O que encontraremos adiante? Tempestades, algumas, certamente. Surpresas também, boas e más. Quem sabe alguma improvável ilha, a prometer raros momentos de paz.
 
Hoje amanheci nublado, como o dia, mas ao descer para comprar o café da manhã na padaria da esquina, a agitação normal da avenida mostrou que no entanto, a vida indiferente persiste, insiste, apesar de tudo. É preciso fazer como a cidade - continuar. Só continuar e as coisas por si mesmas se ajeitam. Daí somos levados a acreditar preguiçosamente que não podemos fazer nada, não precisamos fazer nada, tudo se resolve como por mágica.
 
Mas é justamente o contrário: é de nós e apenas de nós que parte das coisas resulta. A questão é nao ficar esperando, nada cai do céu; tudo e o resultado esperado deve nos achar não de braços cruzados, mas trabalhando. Como a cidade sob a minha janela, sem parar - imersa na batalha, ou em trégua, a esperar a próxima.
 
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