Esta não é uma ode ao filme estrelado pelo Leonardo Di Caprio e um dos concorrentes do
nosso agente secreto na corrida por aquela certa estatueta dourada. É mais uma pequena divagação sobre o estado perpétuo de dificuldade das coisas. Agora passada a folia, nos resta a dura realidade, o tal
um leão por dia. Pois, vamos à eles.
Woody Allen disse certa vez que a realidade é dura, mas é o único lugar onde se pode comer um bom bife - minhas sinceras desculpas aos veganos. São Paulo, no seu ritmo implacável e incessante mostra: de fato o melhor é não parar ou então ficaremos para trás e por mais cansativo que seja, muitas vezes a rotina é isso mesmo: batalhas e mais batalhas e mal vencida uma delas, outra já se aproxima.
O desafio além de não esmorecer, é não se deixar levar por esta guerra sem fim, não perder a leveza, o humor, a sensilibade, qualidades tão necessárias, mas por vezes levadas pelas tempestades que alagam e submergem tanta coisa. Quantos não são tragados, embrutecidos, aniquilados pelo dia a dia? É uma luta árdua e também sem fim não se deixar levar.
O ano está aí, todo aberto bem na nossa frente, como um oceano prestes a ser navegado. E como tal, ainda uma incógnita. O que encontraremos adiante? Tempestades, algumas, certamente. Surpresas também, boas e más. Quem sabe alguma improvável ilha, a prometer raros momentos de paz.
Hoje amanheci nublado, como o dia, mas ao descer para comprar o café da manhã na padaria da esquina, a agitação normal da avenida mostrou que no entanto, a vida indiferente persiste, insiste, apesar de tudo. É preciso fazer como a cidade - continuar. Só continuar e as coisas por si mesmas se ajeitam. Daí somos levados a acreditar preguiçosamente que não podemos fazer nada, não precisamos fazer nada, tudo se resolve como por mágica.
Mas é justamente o contrário: é de nós e apenas de nós que parte das coisas resulta. A questão é nao ficar esperando, nada cai do céu; tudo e o resultado esperado deve nos achar não de braços cruzados, mas trabalhando. Como a cidade sob a minha janela, sem parar - imersa na batalha, ou em trégua, a esperar a próxima.