Coluna
Movimento Code Her conscientiza mulheres a agir contra manipulação de imagens por IA no X
O Boticário se associou à agência, cantora, jornalista e ONG para um bot que alerta sobre tentativas de manipulação de fotos no X
24/04/2026 08h00
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Foto: Reprodução

A marca do setor de beleza O Boticário decidiu entrar em uma conversa que pode ser pouco confortável, mas é extremamente urgente, do nosso tempo: o uso da inteligência artificial para manipular e expor imagens de mulheres. Para isso, lançou o movimento “Code Her” com base em dados. Segundo a organização não-governamental SaferNet Brasil, as denúncias de misoginia, violência ou discriminação on-line contra mulheres cresceram 224,9% em relação ao ano passado. Número que ajuda a explicar um medo cada vez mais presente entre a população feminina, o de ter o próprio corpo transformado em conteúdo falso e viral.

A resposta d’O Boticário vem em formato de tecnologia e de educação. Criado pela agência de publicidade AlmapBBDO, o movimento Code Her combina um bot (robô) que monitora possíveis manipulações de imagens com uma cartilha digital que orienta sobre caminhos legais e formas de denúncia.

Na prática, a marca usa IA contra a própria IA. O bot funciona dentro do aplicativo X. A mulher interessada em ter o monitoramento em suas publicações deve acessar o site do projeto (codeher.boticario.com.br), que contém informações e direcionais, e ao aceitar os termos, ativará o recurso. Após o acionamento, ao publicar fotos, basta marcar @codeherbot na postagem, para que o recurso por meio do chatbot de IA monitore a publicação. Se houver tentativa de manipulação da foto pelo Grok (a IA do X), a imagem não será exibida, um alerta sinalizando sobre a tentativa será enviado para a vítima, indicando os canais oficiais para denúncia e conscientizando com as leis e direitos.

O movimento se conecta diretamente ao território da linha de perfumaria feminina Her Code, que, desde 2023, entrega mais do que produto e tenta ampliar a conversa sobre corpo, autonomia e prazer. Esses temas avançam, mas ainda convivem com tabus e, em muitos casos, violações.

A diretora de Branding e Comunicação da marca, Carolina Carrasco, considera que “é importante destacar que a inteligência artificial trouxe inúmeras possibilidades positivas e que é a intenção humana por trás do prompt que pode torná-la uma ferramenta de exposição e vulnerabilização públicas. A nossa iniciativa é para nos posicionarmos cada vez mais como aliados da mulher, avançando na construção de projetos que extrapolam o universo da beleza, promover discussões relevantes e propor soluções conectadas e construtivas”.

A nova campanha então ganha escala ao associar nomes que trazem o contexto para além da publicidade. A cantora Marina Sena protagoniza o filme digital, enquanto a colega jornalista Rose Leonel, que foi uma das primeiras vítimas de vazamento de imagens íntimas que se tem relatos no nosso país, no início dos anos 2000 ,reforça o debate a partir da própria história.

No campo legal, a iniciativa também cumpre um papel de serviço ao lembrar que a internet não é uma terra sem lei. Entre os instrumentos disponíveis estão a Lei Rose Leonel, a Lei Carolina Dieckmann, a Lei Maria da Penha e o Marco Civil da Internet.

As diretoras de criação da AlmapBBDO, Ana Novis e Paula Keller Perego, também falaram sobre a ideia: "esse comportamento nas redes sociais é um sintoma sério da nossa sociedade. Mas a internet não é uma terra sem lei. Com o Code Her, estamos usando IA com IA, para que as mulheres possam compartilhar as fotos dos seus corpos como quiserem e eles continuem sendo só delas".

Há também coerência com outras frentes recentes do grupo. No último Dia Internacional da Mulher (8 de março), O Boticário colocou no ar o canal “Precisamos Falar”, exclusivo no WhatsApp, em parceria com a plataforma digital de saúde feminina Bloom Care, fundada por mulheres e baseada na ciência. Durante todo o mês de março, o canal reuniu a comunidade médica, advogados e psicólogos para orientar a sociedade sobre como agir e enfrentar a violência contra a mulher, por meio de conteúdos acessíveis e com alto rigor técnico. Dúvidas reais e questões urgentes da comunidade se transformam em escuta ativa e conteúdos cocriados com esses especialistas, provocando reflexões e ferramentas para que mulheres, e aos homens, entendam o que está por trás destes ciclos de violência e o que pode ser feito enquanto sociedade, para ajudar mais pessoas a entender como agir diante da violência contra a mulher. Mais de 15 mil pessoas passaram pelo canal do WhatsApp, o que mostrou que falar, ouvir e aprender sobre violência contra a mulher é realmente urgente, é necessário.

No fim, o Code Her mostra um movimento interessante de marca: sair do discurso e entrar na construção de ferramenta. Posicionar-se também passa por oferecer caminhos práticos, não só narrativas.