Já falei
por aqui a minha opinião sobre o tsunami de
remakes,
sequels,
pre-sequels,
spin offs e
reboots ou quaisquer outros termos importados dos ianques para maquiar a covardia e preguiça da nossa indústria cultural em nos oferecer algo novo. Apesar dos
flops recentes - como as (mal) faladas novas versões de
Vale Tudo e
O morro os ventos uivantes, - Miranda Priestly e sua turma estão aí, vinte anos depois. E seja o que Deus quiser.
A nossa memória afetiva às vezes nos prega peças e alimenta a recorrente nostalgia, esta moeda valiosa para o mercado, tal qual as peças daquela certa grife italiana presente no título deste que como Stars Wars e Titanic, furou a bolha e virou ícone. O fenômeno pop responsável por fazer milhões ao redor do mundo sonharem trabalhar em uma revista de moda - eu incluso. Como outros sucessos, ele começou tímido, quase desacreditado - como Psicose, cuja produção e montagem Hitchcock teve de bancar - um filme com o Anthony Hopkins e a Helen Mirren ilustra bem esse começo de todo sucesso antes do sucesso. Afinal, convenhamos, quem imaginaria como estouro de bilheteria a adaptação das memórias romanceadas de uma ex-secretária de uma editora de moda? Mas por trás havia Anna Wintour. E Meryl Streep - e depois desta última como duvidar do que veio depois? That's all, como na fala da outra lá.
O que eu gostaria mesmo era de uma boa conversa com a Lauren Weisberger. Em uma mesa de bar, sem câmeras ou gravadores, tudo off line como quase nada hoje em dia. Para saber de tudo mesmo, se não houvesse aquela empata-foda chamada cláusula de confidencialidade com a qual todos nós temos de lidar um dia. Sim, senhoras e senhores, o diabo usa bem mais do que a marca de la signora Miuccia.
Voltando para a continuação do filme... Criemos tudo: cisnes, unicórnios, mas não expectativas. Mas como não, afinal, por onde andaram aqueles personagens e como estão 20 anos depois? Serão eles os mesmos? A indústria da moda, tão bem retratada em 2006, como apararecerá desta vez? Pois de santa ela não tem nada e é a verdadeira diaba do título.
Eu a conheço muito bem e depois de ficar na frente dos holofotes me achando a estrela do show (quando na verdade era só um cabide que andava) vi aquele filme e logo uma luzinha se acendeu. Era atrás deles o lugar da mágica, onde o roteiro era escrito de verdade. E porque ser palhaço, quando podia ser dono do circo? Assim, por um tempo, fui a Andy, a Emily, a Miranda, o Nigel - todos ao mesmo tempo. Até aquilo não fazer mais sentido e eu me ver tendo de responder a mesma pergunta de uma personagem de novela: até quando você vai se espremer pra caber em uma página de revista? E aí, outra luzinha se acendeu e saí como a Andy, sem arrependimento e sem olhar pra trás.
São Paulo, esta nossa versão de Nova York também é uma diaba e também veste a camisa. A redação daquela certa revista a inspirar a RUNAWAY fica aqui, a maior semana de moda do país também. Assim muitos protótipos de Mirandas e Emilys circulam por aqui, nos mesmos lugares, com os mesmos looks, dando pinta em algum rooftop ou correndo apressada(o)s por aquela certa avenida tão conhecida pela Polícia Federal. Alguns, conheci de - muitos - outros carnavais e bem longe de usarem Prada, eles usam qualquer loja de departamento mesmo. Mas deboches à parte, vamos todos ao cinema (eu, no Belas, cruzamento da Paulista com a Consolação) torcendo para não terem avacalhado com os personagens tão amados. E seguindo nos embalos das continuações, que venha a Madonna com a segunda parte das suas confissões na pista de dança.