
Meio de PropagandaO mercado em pauta há 15 anos no Meio de Propaganda (@meiodepropaganda). Marianna Vieira (@mariannavieiraa), jornalista responsável, é especialista em Assessoria e Publicidade. Escreva para a coluna: [email protected].
No último mês de março, a marca de moda masculina Acostamento, pertencente ao Grupo Pasquini, anunciou resultados à imprensa após lançar o “Guia Acostamento”, um projeto audiovisual proprietário durante o Carnaval 2026 de Florianópolis (SC). A partir desse gancho, o CMO do Grupo, Caiube Nogueira, que se identifica e é conhecido nas redes sociais como “Cowboy do Marketing”, concedeu entrevista exclusiva ao Meio de Propaganda.
Antes, entenda o contexto: o Grupo Pasquini é um dos mais tradicionais grupos de moda do Brasil, com mais de 33 anos de atuação no setor, reconhecida pela estrutura industrial própria em Santa Catarina, pela presença nacional e por um modelo multicanal que inclui lojas próprias, e-commerce e pontos de venda inclui, além da Acostamento, ACT, NEXT e InBlanche. A participação no segmento premium foi ampliada também ao assumir a operação da U.S. Polo ASSN.
A ação de marketing da Acostamento para o último Carnaval pode ser vista no YouTube. Ela fugiu do formato tradicional de campanhas sazonais e apostou em uma série inspirada em guias clássicos (como o Quatro Rodas e o Michelin), e teve o ex-BBB Alan Possamai como embaixador. O engajamento gerou mais de 24,1 milhões de visualizações no perfil da marca, entre os dias 2 e 19 de fevereiro. No total, houve um salto de 85,7% em visualizações totais e 96% em visitas ao perfil da Acostamento em comparação ao período anterior, alcançando 331 mil visitas qualificadas.
Por isso, a iniciativa consolidou um experimento de branding que abriu caminhos para os próximos passos da estratégia de marketing da marca. E é sobre esse atual momento que Caiube conta:
Meio de Propaganda: Como a Acostamento chegou ao Grupo Pasquini?
Caiube Nogueira: Entre as marcas do grupo, a Acostamento carrega uma das histórias mais simbólicas da trajetória do grupo. No início da carreira, Raritom Pasquini percorria de carro diversas cidades do estado de São Paulo vendendo camisetas. Em cada viagem, havia um ritual: parar no acostamento da estrada. Era nesse momento que ele organizava informações, planejava visitas aos lojistas e definia estratégias. Foi em uma dessas pausas que surgiu o nome da marca. O acostamento deixou de ser apenas um local físico e passou a representar um espaço de reflexão, planejamento e visão de futuro. Ali nasceu a ideia de construir uma marca forte, com identidade própria e vocação para crescer. Trajetória que hoje soma mais de três décadas de história e reconhecimento no mercado nacional.
M: Hoje a marca está presente em todo o Brasil?
C: Sim, a marca tem presença nacional, com atuação multicanal, em lojas próprias, no e-commerce e ampla distribuição em pontos multimarcas. No Nordeste, a presença é relevante e vem crescendo, principalmente por meio de parceiros multimarcas e canais digitais, que ampliam o acesso e fortalecem a conexão com o público e estão presentes em todos os estados da Região.
M: Como funciona hoje a estrutura de marketing e comunicação da Acostamento? O trabalho é feito internamente ou com agências/produtoras parceiras?
C: A estrutura é híbrida. Existe um núcleo estratégico interno no Grupo Pasquini, responsável por branding, posicionamento e criatividade. Ao mesmo tempo, trabalhamos com parceiros externos, agências e produtoras, que entram como especialistas na execução, especialmente em projetos audiovisuais e digitais. Esse modelo garante consistência estratégica com excelência criativa.
M: Como você enxerga o atual mercado de moda masculina brasileiro?
C: O mercado evoluiu de uma lógica funcional para uma lógica identitária. Antes, o consumo masculino era mais racional e básico. Hoje, ele é aspiracional, informado e aberto à experimentação. A moda não tem mais gênero e ganha o mercado masculino cada vez mais. Existe uma demanda crescente por marcas com propósito, estética consistente e narrativa, o que abre espaço para movimentos como o da Acostamento.
M: Muitas marcas comunicam produtos. Como surgiu essa decisão por experiência?
C: Surgiu da necessidade de diferenciação e relevância cultural. O produto, por si só, virou commodity em muitos segmentos. A experiência, não. Ao comunicar lifestyle, a marca passa a fazer parte da vida do consumidor não apenas do guarda-roupa. É uma forma de construir valor emocional e conexão de longo prazo.
M: Em que momento vocês perceberam que fazia mais sentido construir conteúdo proprietário para o Carnaval? Esse deve ser o caminho da comunicação da marca daqui pra frente?
C: A virada aconteceu quando percebemos que campanhas sazonais tradicionais já não eram suficientes para sustentar a diferenciação e relevância no longo prazo. O comportamento do consumidor mudou. Hoje, ele busca conexão, narrativa e identificação, não apenas oferta. O Guia nasceu justamente dessa leitura: a de que construir um território proprietário de conteúdo gera valor contínuo, e não apenas picos pontuais. Esse movimento não é pontual. Ele inaugura um direcionamento claro: a comunicação da Acostamento passa a ser cada vez mais orientada por conteúdo, storytelling e experiência. Com ampla repercussão e forte alcance nacional, a iniciativa consolida um experimento ousado de branding, que abre caminhos para os próximos passos da estratégia de marketing da marca, cada vez mais orientada por conteúdo, experiência e construção de território.
M: O Guia Acostamento se inspirou em guias clássicos de viagem. Como essas referências editoriais ajudaram a traduzir a mensagem de vocês?
C: Referências como o Guia Michelin e a Quatro Rodas trouxeram legitimidade editorial e um senso de curadoria, algo essencial para comunicar lifestyle com profundidade. Esses guias não vendem apenas destinos, eles constroem narrativas sobre jornada, descoberta e experiência. Era exatamente isso que queríamos: traduzir os valores da marca, da estrada, da liberdade e do movimento em uma linguagem aspiracional, porém tangível, conectada à vida real. Essa inspiração traz uma elevação perceptível de posicionamento da Acostamento: a marca deixou de comunicar apenas vestuário para comunicar cultura de estrada.
M: Os resultados de audiência foram expressivos. O que mais surpreendeu vocês na resposta do público?
C: O que mais nos surpreendeu foi a intensidade e a qualidade da resposta do público. Além dos números expressivos, como os mais de 24,1 milhões de visualizações e o crescimento significativo em visitas ao perfil e engajamento, chamou atenção a forma como as pessoas se conectaram com a proposta. O conteúdo, com uma abordagem mais cinematográfica e experiencial, especialmente nos Reels, gerou interações acima da média e mostrou uma migração clara do engajamento para o formato em vídeo. Houve, ainda, um salto de 85,7% em visualizações totais e 96% em visitas ao perfil da marca em comparação ao período anterior, alcançando a marca de 331 mil visitas qualificadas. O público respondeu ao posicionamento. Ao invés de enxergar apenas uma campanha de produto, passou a se relacionar com a marca por meio de valores como estrada, liberdade e lifestyle. Isso valida a estratégia de investir em storytelling e construção de território, indicando que estamos no caminho certo ao evoluir nossa comunicação para algo mais cultural e conectado à vida real das pessoas.
M: Qual era o objetivo? Awareness, reposicionamento ou experimento de nova linguagem?
C: Os três, mas principalmente reposicionamento. O Guia foi concebido como um experimento estratégico para validar uma nova linguagem um pouco mais cinematográfica, editorial e experiencial ao mesmo tempo em que ampliava awareness. O principal objetivo é reposicionar a Acostamento como uma marca que transcende o vestuário, ir além da comunicação de produto e traduzir, em linguagem audiovisual nas mídias sociais, valores historicamente ligados à marca: estrada, liberdade, deslocamento e lifestyle.
M: E em relação à parceria com influenciadores, como nesse projeto, é um novo modelo que vocês pretendem explorar mais daqui pra frente?
C: Com certeza! O modelo evolui de “influenciador como mídia” para “influenciador como co-criador de narrativa”. A escolha do Alan Possamai, ex-BBB, reflete isso, de alguém que pode viver a experiência e traduzir autenticidade. Esse formato deve ganhar ainda mais força nas nossas campanhas, com parcerias mais profundas, integradas ao conceito criativo e não apenas à distribuição.
M: Que outras iniciativas de comunicação ou marketing estão no radar da marca para as próximas temporadas?
C: O foco está em expandir o conceito de conteúdo proprietário. Isso inclui novos “guias”, projetos de viagem, collabs com criadores e experiências físicas integradas ao digital. A Acostamento tem uma história e um propósito muito fortes, assim como todas as marcas do Grupo Pasquini, e terá cada vez mais presença na vida do brasileiro. Também estamos atentos à construção de comunidades e à criação de narrativas contínuas, que não dependam de datas comerciais específicas.
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