O novo plano de segurança pública lançado pelo Governo Federal, com previsão de investimento de R$ 11,1 bilhões, deve ampliar o combate ao crime organizado no Distrito Federal e nas cidades do Entorno. A estratégia, apresentada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, aposta em inteligência, integração entre forças policiais e bloqueio financeiro de facções criminosas.
O pacote foi estruturado em quatro eixos principais: combate às finanças do crime organizado, enfrentamento ao tráfico de armas, aumento da taxa de esclarecimento de homicídios e reforço da segurança no sistema prisional. As medidas começam a ser implementadas ao longo de 2026.
Entre as ações previstas está o fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos) nos estados e a ampliação dos Centros Integrados de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cifras), com participação da Polícia Federal, Receita Federal, Banco Central, Coaf e órgãos estaduais.
Na área penitenciária, o plano prevê endurecimento do controle em 138 presídios estaduais considerados estratégicos. O governo quer ampliar o bloqueio de comunicações ilegais dentro das unidades, reforçar a inteligência penitenciária e aumentar o isolamento de lideranças criminosas.
Também está prevista a criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (Cnip), além da compra de equipamentos, realização de operações integradas e capacitação de servidores.
Outro foco do programa é a investigação de homicídios. O governo pretende ampliar a estrutura das polícias científicas, fortalecer institutos médico-legais e expandir os bancos nacionais de perfis genéticos e sistemas de análise balística.
No combate ao tráfico de armas, será criada a Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas (Renarme), com operações integradas, monitoramento de rotas ilegais e investimentos em rastreamento tecnológico.
Ex-secretário executivo adjunto do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o advogado Marivaldo Pereira afirmou que as medidas podem ter impacto direto na segurança do Distrito Federal e da Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno (Ride).
Segundo ele, o fortalecimento das ações de inteligência e da cooperação entre os órgãos de segurança tende a atingir estruturas financeiras e operacionais de organizações criminosas que atuam na região. “Segurança pública de verdade não se faz com discursos vazios ou com o loop do medo nas redes sociais; faz-se com inteligência e investimento pesado na raiz do problema, que é o sufocamento financeiro e operacional do crime organizado”, afirmou Marivaldo.
O advogado também destacou que os recursos federais devem ampliar a capacidade operacional das forças de segurança e fortalecer o combate à violência nas periferias do DF e Entorno.