Junho é o mês oficial das festas caipiras, e é nesse período que o perigo das queimaduras aumenta. De acordo com a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), o Brasil registra, anualmente, cerca de 1 milhão de pessoas com queimaduras, das quais 100 mil procuram por atendimento médico. Crianças e idosos são a parcela da população mais vulnerável, e a maioria dos acidentes (70%) ocorre dentro de casa, informa a entidade.
Por conta do Dia Nacional de Luta contra Queimaduras (6 de junho), a SBQ promove, toda ano, a campanha Junho Laranja, para alertar sobre os riscos de acidentes com queimaduras e seus traumas. Desta vez, o tema central são as queimaduras elétricas, escolhido após a divulgação dos dados do Boletim Epidemiológico n° 47, do Ministério da Saúde. Entre 2015 e 2020, ocorreram no Brasil 19.772 óbitos por queimaduras, sendo que a eletricidade foi responsável por 9.117 (46,1% do total). A campanha da SBQ alerta que a eletricidade tem potencial de causar morte imediata no momento do trauma, correspondendo a 70% desses óbitos, e pode levar a sequelas como amputações.
De acordo com a entidade, boa parte das vítimas de queimaduras elétricas é formada por homens entre 19 e 59 anos e, em maior número, na construção civil informal, como reparos na fiação elétrica de casa, por exemplo. Os riscos incluem curto-circuito, queimaduras e até incêndios. Noventa e 5% das queimaduras registradas no mundo ocorrem em países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Apenas 5% acontecem em países desenvolvidos.
Já a Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM) alerta para o fato de que, no mês em que ocorrem as festas juninas, a incidência de acidentes com queimaduras tem destaque em função do mau uso de fogos de artifício. As mãos são os membros mais afetados diretamente pelos artefatos. As queimaduras de primeiro grau nas mãos apresentam vermelhidão, ardor, e são mais superficiais. Queimaduras mais profundas, de terceiro grau, podem levar ao comprometimento de tendão, de nervo e de osso. Além das queimaduras térmicas, as queimaduras elétricas são extremamente graves, e bem como as queimaduras químicas.
A automedicação não é recomendada, tampouco o uso de produtos como pasta de dentes, manteiga, óleo e clara de ovos sobre as áreas lesionadas. Uma queimadura mais superficial pode ser resfriada, lavada em água corrente por alguns minutos. Queimaduras em ambiente doméstico também são muito comuns, principalmente envolvendo crianças. Não se deve deixar panelas expostas ou ao alcance dos pequenos no fogão. Os cabos devem estar sempre virados para dentro. Mães ou responsáveis não devem segurar panelas ou objetos quentes quando vão abordar os menores. As crianças devem ser mantidas longe da cozinha e do fogão, principalmente durante o preparo das refeições. Cuidados devem ser tomados da mesma forma com relação à tampa do forno e a churrasqueiras.
A queimadura tem vários graus. A de primeiro grau, ou superficial, é a que envolve apenas a epiderme, a camada mais superficial da pele. Os sintomas são intensa dor e vermelhidão local, mas com palidez na pele quando se toca. A lesão desse tipo de é seca, não produz bolhas e, em geral, melhora no intervalo de 3 a 6 dias, podendo descamar. Não deixa sequelas. As queimaduras de segundo grau são divididas em superficial e profunda. A superficial envolve a epiderme e a porção mais superficial da derme. Inclui o aparecimento de bolhas e uma aparência úmida da lesão. A cura é mais demorada, podendo levar até três semanas. Ela não costuma deixar cicatriz, mas o local da lesão pode ser mais claro. Já as de segundo grau profundas são aquelas que acometem toda a derme, sendo semelhantes às de terceiro grau. Como há risco de destruição das terminações nervosas da pele, esse tipo de queimadura, que é bem mais grave, pode até ser menos doloroso que as mais superficiais. A cicatrização demora mais que três semanas e costuma deixas marcas.
Já as queimaduras de terceiro grau são profundas e acometem toda a derme, atingindo tecidos subcutâneos, com destruição total de nervos, folículos pilosos, glândulas sudoríparas e capilares sanguíneos, podendo, inclusive, atingir músculos e estruturas ósseas. São lesões esbranquiçadas, acinzentadas, secas, indolores e deformantes, que não curam sem o apoio cirúrgico, necessitando de enxertos.
Fonte: Agência Brasil. Foto: Agência Brasília
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