O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, no Rio de Janeiro, foi credenciada pelo Ministério da Saúde para oferecer cirurgias de redesignação sexual pelo Sistema Único de Saúde. A unidade já realizava cirurgia reconstrutora urogenital e, a partir do apoio da superintendência, solicitou a habilitação do novo serviço.
No último dia 23, por exemplo, o hospital realizou cirurgias de redesignação de sexo em três mulheres trans. Os procedimentos tiveram duração de cerca de quatro horas e foram coordenados pela equipe do Serviço de Urologia, com o apoio de cirurgiões plásticos e do urologista argentino Javier Belinky, do Hospital Carlos G Durand, de Buenos Aires. Em uma primeira etapa, o foco serão mulheres trans. Depois, a unidade vai ampliar o atendimento para outros tipos de cirurgias, como mastectomia.
A partir do credenciamento pelo ministério, o Gaffrée e Guinle está recebendo pacientes que já vêm prontas de serviços públicos ambulatoriais, ou seja, que já passaram pelas diretrizes do SUS para esse tipo de cirurgia – como a etapa de tratamento com hormônios, por exemplo. O objetivo da unidade é finalizar 2023 com dez cirurgias realizadas.
Para estar apta à cirurgia, a paciente deve, inicialmente, ter sido atendida em ambulatório de transgenitalização do SUS em qualquer nível de atenção, seja municipal, estadual ou federal. No processo transexualizador, ela passa por uma etapa da questão social – que inclui mudança de nome, de registro, entre outras fases –, e pela etapa hormonal, vindo por último a etapa cirúrgica. Nessa, é necessário o acompanhamento já dentro do ambulatório, com equipe multidisciplinar que inclua endocrinologia e saúde mental, há pelo menos dois anos.
O tempo de duração da cirurgia difere de paciente para paciente, variando de três horas e meia a cinco horas, em média. A paciente permanece internada no hospital por cerca de cinco dias, quando recebe alta e começa um processo de dilatação da neovagina, além de uma série de processos ambulatoriais. A recuperação é paulatina, em casa, e requer acompanhamento ambulatorial rígido. É necessário fazer o processo de dilatação da vagina por um período longo. Esses tipos de cirurgias têm chances de complicação. Mas, geralmente, as mulheres trans operadas estão aptas à atividade sexual penetrativa em dois meses.
No estado do Rio de Janeiro, além do Gaffrée e Guinle, só realiza esse tipo de procedimento o Hospital Universitário Pedro Ernesto. Além desses, há mais quatro unidades que realiza essas cirurgias pelo SUS: Hospital das Clínicas de Porto Alegre, Hospital da Universidade Federal de Goiás, Hospital da Universidade Federal de Pernambuco e Hospital da Universidade de São Paulo, informou o Ministério da Saúde.
*Fonte: Agência Brasil