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Yanomami em Roraima

Crise humanitária e sanitária dos povos indígenas Yanomami em Roraima não era surpresa para autoridades políticas

A quem interessa o silêncio em não noticiar a desnutrição indígena?

22/02/2023 17h33Atualizado há 3 anos
Por: Janara Rodrigues
Foto: Weibe Tapeba - secretário do ministério dos povos indigenas
Foto: Weibe Tapeba - secretário do ministério dos povos indigenas

Há um mês foi noticiado para todo país a situação da crise sanitária e humanitária dos povos indígenas Yanomami no estado de Roraima, na região de Surucucu. A invasão do garimpo ilegal devastou terras, as águas foram contaminadas pelo mercúrio, idosos, mulheres e crianças, todos foram brutalmente afetados. Com a saúde comprometida, doenças como malárias, diarréia aguda e desnutrição encontraram acesso fácil em corpos frágeis.

No dia 21 de janeiro, a convite de lideranças indígenas locais, o presidente Lula e sua comitiva veio de conhecer de perto a realidade que impactou diretamente a vida dos povos originários. Fome, corpos desnutridos, falta de estrutura na saúde, falta de remédios e alimentos, além da ausência do poder público foi amplamente noticiado.

Após a vinda presidencial, ministros também vieram. Assim como a ajuda humanitária. Toneladas de alimentos e remédios são levados diariamente pela Força Aérea Brasileira. Um hospital de Campanha foi instalado na Casa de Saúde Indígena, a Casai, o local já atendeu mais 700 indígenas. Crianças com desnutrição grave foram levados para o único hospital da capital Boa Vista- Santo Antônio. De acordo com dados da saúde municipal há 58 crianças indígenas internadas na unidade. Dessas, 49 são da etnia Yanomami e duas seguem internadas na UTI do hospital. As principais causas dessas internações são: doença diarréica aguda, gastroenterocolite aguda, desnutrição, desnutrição grave, pneumonia, acidente ofídico e malária. Dos atendimentos feitos no Hospital de Campanha- 40 indígenas já retornaram com o apoio da FAB para Surucucu.

Outra importante ação, foi a determinação da retirada de mais de 20 mil garimpeiros ilegais. A retirada acontece pelo ar, pelos rios e por terra. A ação conta com o apoio do Exército, Força Nacional, Ibama e Polícia Federal. Diante de toda força tarefa, foi constatado a presença de mais de duas mil pistas de pousos clandestinas utilizadas no garimpo. Apreensões de minérios foram feitas e investigações estão em curso. O Ministério Público Federal instaurou inquérito para apurar se há responsabilidade de agentes públicos e negligência diante da crise humanitária.

E para finalizar o balanço desse um mês de notícias sobre a crise Yanomami, deixo o questionamento: a quem interessa o silêncio?

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