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Defesa a criança

Por que o Brasil ainda falha na proteção da infância?

O Estado deve ser escudo, não espectador

03/06/2026 17h01
Por: Márcia Casili
Fonte: Damares Alves
Ser escudo ou espectador da violência infantil?
Ser escudo ou espectador da violência infantil?

Milhares de crianças e adolescentes sofrem violência todos os anos no Brasil. Muitos desses casos acontecem dentro de casa, cometidos por pessoas próximas, pais, familiares ou conhecidos.

 

Abuso sexual, agressões físicas, negligência e maus-tratos são uma triste realidade que continua invisível para a sociedade. As vítimas, muitas vezes, permanecem em silêncio por medo, vergonha ou por não entenderem que seus direitos estão sendo violados.

 

Fique atento aos sinais: Mudanças bruscas de comportamento; Tristeza constante ou isolamento; Medo excessivo de certas pessoas; Lesões sem explicação, ou Regressão ou falas que demonstram sofrimento.

 

O Estado não pode ser apenas um espectador. Tem o dever de ser o escudo protetor das crianças e adolescentes. Enquanto o Brasil não tiver coragem de aplicar penas severas e proporcionais à gravidade desses crimes, continuará combatendo os efeitos sem atacar a causa.

 

Proteger a infância não é apenas discurso bonito. Exige atitude firme, vontade política e força para punir de forma exemplar quem ousa tirar a inocência e a segurança de uma criança.

 

A sociedade não pode mais aceitar que criminosos recebam tratamento brando enquanto as vítimas carregam cicatrizes para o resto da vida. É hora proteger as crianças de verdade, ou seguir fingindo que estam fazendo algo.

 

De acordo com a senadora Damares Alves, muitos tentam argumentar que "não adianta só prender". Ela destaca que um predador não faz apenas uma vítima. "Todos os abusadores possuem, no mínimo, 12 vítimas. Ao tirar um criminoso de circulação de forma definitiva, estamos protegendo, automaticamente, pelo menos 12 crianças”, afirma.

 

A senadora atesta que não se trata de um "deslize", os predadores são reincidentes e incontroláveis, e que eles não possuem limites, não sentem remorso e não aprendem com o sistema prisional atual. “Eles precisam passar a vida inteira trancados, para que nunca mais tenham a chance de destruir a inocência de mais uma criança”.

 

Durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado, a parlamentar alertou sobre dados apresentados pela Polícia Federal que apontam um crescimento alarmante dos casos de abuso infantil no Brasil. Ela evidenciou que o número de ocorrências teria triplicado nos últimos anos. Em seu pronunciamento, Damares relatou um caso que causou forte comoção, sobre um bebê de apenas quatro horas de vida que teria sido vítima de abuso cometido pelo próprio pai. O relato reforçou o debate sobre a necessidade de medidas urgentes para proteger crianças e combater a violência infantil no país.

Estatísticas mostram um alerta importante e que muitos não estão atentos, os registros de violência contra meninos de 0 a 13 anos tiveram um aumento de 10,6%. Diante disso, surge uma pergunta fundamental para pais, mães e educadores: por que os meninos têm ainda mais dificuldade para relatar e denunciar quando algo está errado?

 

Damares alerta que isso acontece por falta de instrução clara sobre o próprio corpo e por barreiras de comunicação dentro de casa. Muitas vezes, a criança não sabe identificar que um comportamento ou abordagem de um adulto foi inadequada, ou se cala por medo, vergonha e confusão.

 

Muitas vezes, a dor que sangra na alma da criança é silenciada dentro de casa ou por uma sociedade que falha em acolher. Frases cruéis como "não foi tão grave assim", "você também provocou" ou "vai acabar com a família" não apenas ferem, elas matam a esperança de quem já foi brutalmente violado.

 

Ensine a criança a fazer 3 coisas:

Dizer não se algo lhe deixa desconfortável; sair do local de onde alguém o incomoda e contar para um adulto que ele tenha confiança e sinta segura.

 

O predador se disfarça de "amigo bonzinho", de alguém que dá uma atenção especial que a criança não encontra em outro lugar. É a chamada "teia de confiança".

 

Frases que predadores usam contra crianças:

“É nosso segredo”. Eles usam o pacto de silêncio e transformam o abuso em bincadeira. Oriente que adulto não pede segredo para crianças.

“Se contar, seus pais vão brigar”. Eles fazem a criança acreditar que ela fez algo errado, usando o medo e a culpa. Oriente  que a criança nunca será punida por contar a verdade.

“Se contar para alguém algo ruim vai acontecer”. Eles usam o medo para controlar a criança e impedir que ela conte. Oriente que quem ameaça está errado, e que ela pode pedir ajuda na hora.

Se você suspeita que uma criança ou adolescente esteja sofrendo qualquer tipo de abuso ou violência, denuncie. O Disque 100 funciona gratuitamente, recebe denúncias anônimas e encaminha os casos para os órgãos competentes.

O silêncio protege o agressor. A denúncia protege a criança.

📞 Disque 100
🔒 Denúncia anônima
🧸 Proteja a infância
❤️ Sua atitude pode salvar uma vida.

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