Uma das melhores coisas de Sampa é estar a menos de uma hora de distância do Rio de Janeiro. Explico: nasci em João Pessoa, sou de São Paulo, mas a minha alma (e parte do DNA) são do Rio. E neste fim de maio, com tempo nublado e média de 14°, decidi escapar um pouquinho do gélido concreto e pegar um pouco de mar, de ar - coisas oferecidas de bom grado pelo Errejota. O Rio cura.
Esta cidade não é chamada de Maravilhosa à toa. Já viajei razoavelmente nesse mundão de Deus e por mais beleza encontrada, nada se compara com esse contraste: céu e mar, floresta e cidade, história e festa, tudo junto e misturado. Esqueçam Copacabana e Leblon, a violência também - o Rio é bem mais que isso. Vou falar do lugar conhecido, amado e sempre procurado a cada nova visita. A mesma cidade. Nunca a mesma cidade. 
Amo a cidade que já não mais existe. O Palácio Monroe, o Morro do Castelo, as praias do Russel e de Santa Luzia - famosas bem antes das outras lá. Hoje, todos eles lugares reais apenas quando falamos deles. O Rio também tem seus fantasmas, do Arco do Teles ao Valongo; como este e como aqueles, eles teimam em ressurgir, por mais ignorados que sejam.

O meu Rio é aquele das páginas do Machado, do João e do Nelson. É o do teatro e da biblioteca mais lindos do mundo, da portinha na Cinelândia onde se acham as melhores empadas e tortas da cidade. Das mandrileñas da Confeitaria Manon - lembram das cenas da sorveteria em Ainda estou aqui? - é melhor pararmos ou este taurino vai escrever volumes enciclopédicos sobre os (infinitos) sabores da cidade os quais mal cabem nesta página. O Rio não é só de se ver, é para se ouvir e sobretudo sentir: das rodas de samba em qualquer bar, qualquer praça até a tranquilidade da floresta da Tijuca - o silêncio quase absoluto com o qual até se esquece que estamos em uma das maiores cidades do país. É o Rio das fotos da Cláudia Andujar e não das notícias tenebrosas de todo dia.

Ele podia ser melhor, mais organizado, mais limpo, mais digno? Claro - como todos nós também. Mas a gente é o que a gente consegue ser. O Rio tenta, nós também tentamos. Percebam, sou um apaixonado e como tal, mais inclinado a ver o lado bom de quem se ama. E prefiro que seja deste jeito mesmo. Amo todo o caos e cinza de SP, amor antigo e de longa data. Mas a paixão é pelo Rio. E como toda paixão, é sem razão, sem limite. O lugar onde as pessoas aplaudem o pôr do sol. Por hora, sou/estou na cidade que mesmo nublada, é cheia de sol e onde se pode literalmente ver o nosso Redentor - de onde quer que se olhe.
Sensação
Vento
Umidade
