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PET

Tutor denuncia negligência após retirar pitbull em estado crítico de clínica veterinária em Águas Lindas

Segundo dono, cachorro teria ficado sem assistência adequada durante a internação; defesa afirma que animal já chegou em condição grave e recebeu atendimento contínuo.

22/02/2026 21h59
Por: Redação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Um cabeleireiro de Águas Lindas de Goiás denuncia maus-tratos e negligência contra o cachorro dele durante internação em uma clínica veterinária da cidade. Segundo Michael Soares, tutor do animal, o cão teria passado a noite sozinho e, ao chegar ao estabelecimento na manhã seguinte, ele afirma ter encontrado o pet sujo de fezes, com o nariz obstruído, secreção nos olhos e sem atendimento adequado.

Michael é casado e vive com o companheiro e três cachorros. Um deles, Snow, um pitbull de um ano e meio, começou a apresentar vômitos e apatia. “Ele sempre foi muito agitado. Quando vimos que não conseguia levantar direito, percebemos que tinha algo errado”, contou.

De acordo com o tutor, o animal foi levado à clínica com a promessa de acompanhamento 24 horas e realização de exames para investigar a causa dos sintomas. No entanto, segundo ele, a ultrassonografia não foi realizada, e o exame de raio-x, indicado como alternativa, teria sido adiado para a segunda-feira seguinte, mas não chegou a ser feito.

Ainda conforme o relato, na noite da internação, Michael tentou obter informações sobre o estado de saúde do cachorro, mas só recebeu resposta cerca de duas horas depois, por volta das 23h. Desconfiado, decidiu ir até a clínica na manhã seguinte.

“Chegamos cedo e a clínica estava toda fechada, sem movimentação. A secretária veio de pijama, da casa dela, com a maquininha de cartão na mão. Não deixaram a gente entrar”, afirmou.

O tutor diz que só conseguiu acessar o interior do estabelecimento após procurar a delegacia e insistir na liberação. Ao entrar, afirma que encontrou o cachorro em estado crítico. “Ele estava coberto de fezes, com o nariz obstruído, sem conseguir respirar direito”, relatou.

Desesperado, o casal decidiu retirar Snow do local e levá-lo imediatamente a outra clínica veterinária. No novo atendimento, segundo Michael, o animal foi higienizado e estabilizado. Exames teriam confirmado diagnóstico de doença do carrapato. “No dia seguinte, ele já estava em pé, tomando água. Teve uma evolução bem rápida devido ao cuidado adequado”, disse.

Caso semelhante

Em janeiro de 2026, uma nova denúncia envolvendo a mesma clínica veio à tona. Segundo relato de outra cliente, um cachorro da raça shih-tzu morreu após atendimento no local. O episódio, segundo Michael, reforçou a decisão de tornar o caso público.

“Se eu tivesse conseguido ajuda antes, talvez outra pessoa não teria passado por isso. Meu cachorro não fala, então eu falo por ele”, afirmou.

O que diz a defesa

A reportagem procurou a médica-veterinária responsável pela clínica, Nayara Rodrigues, que não concedeu entrevista por telefone. A advogada Isabella Spindola encaminhou nota em nome da profissional.

Segundo a defesa, o animal foi admitido para internação no dia 2 de agosto de 2025 em estado clínico considerado “extremamente grave”, apresentando desidratação severa, hipotermia, inapetência, sinais neurológicos e comprometimento sistêmico relevante.

De acordo com a nota, exames laboratoriais confirmaram diagnóstico de erliquiose em estágio avançado, além de alterações críticas nos níveis de ureia e creatinina, indicativas de disfunção orgânica importante. A defesa afirma ainda que o cão era portador de doença renal crônica, condição que teria agravado o prognóstico e exigido manejo intensivo.

A clínica sustenta que, desde a admissão, o animal recebeu assistência integral, com suporte intensivo, administração de medicações, alimentação assistida, higienização periódica e monitoramento contínuo, todos registrados em prontuário e em registros audiovisuais.

Ainda segundo a nota, a unidade mantém médico-veterinário plantonista durante todo o período de internação e que, embora aos domingos não haja visitação externa, o acompanhamento dos animais internados permanece ininterrupto.

A defesa também afirma que, em 4 de agosto de 2025, a continuidade da internação foi interrompida por decisão do tutor, que solicitou a retirada do animal. Na ocasião, segundo a clínica, foi entregue relatório clínico completo, encaminhamento médico formal e orientações terapêuticas para continuidade do tratamento em outro estabelecimento.

Por fim, a advogada informou que exames complementares, como a ultrassonografia, deixaram de ser realizados em razão da retirada antecipada do paciente e que os valores referentes aos procedimentos não executados foram reembolsados ao tutor.

Fonte: Jornal Opção

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