O adolescente de 17 anos investigado por participação em um caso de violência sexual coletiva ocorrido em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, se apresentou à polícia nesta sexta-feira (6), na 54ª Delegacia de Polícia, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Na véspera, a Justiça havia autorizado um mandado de busca e apreensão contra o menor, que não foi localizado em sua residência durante a ação policial e passou a ser considerado foragido. Ele responde por ato infracional análogo a crime previsto na legislação. Os outros quatro investigados no caso — Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos; Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18; João Gabriel Bertho Xavier, de 19; e Mattheus Veríssimo Zoel Martins, de 19 — já haviam se apresentado anteriormente às autoridades após a repercussão do episódio.
A apresentação do adolescente ocorreu após o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) rever seu posicionamento inicial e passar a defender a aplicação de medida socioeducativa de internação. Antes disso, o órgão havia discordado da Polícia Civil quanto à adoção da medida para o menor, embora tivesse apoiado a prisão preventiva dos suspeitos maiores de idade. A mudança de entendimento ocorreu depois que surgiram novas denúncias relacionadas a possíveis episódios semelhantes envolvendo os investigados. De acordo com as apurações, o adolescente — apontado como ex-namorado da vítima — teria convidado a jovem de 17 anos para ir a um apartamento em Copacabana. O imóvel pertence ao pai de Vitor Hugo, filho de José Carlos Simonin, que ocupava o cargo de subsecretário da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro. Após a repercussão do caso, Simonin foi exonerado da função. Vitor Hugo e os outros três jovens foram formalmente indiciados no último dia 28, quando o caso veio a público. Eles permaneceram alguns dias sem serem localizados, mas se apresentaram à Justiça entre terça e quarta-feira.
Segundo o relato prestado pela vítima à polícia, o encontro ocorreu no dia 31 de janeiro. O adolescente teria sugerido que ela fosse acompanhada por uma amiga, mas a jovem afirmou que decidiu ir sozinha. Imagens de câmeras de segurança indicam que os quatro adultos chegaram ao apartamento antes dela. Ainda no elevador, a adolescente foi informada de que amigos do rapaz estavam no local e poderiam propor algo diferente, proposta que disse ter recusado. Posteriormente, enquanto estava no quarto com o adolescente, os outros quatro homens teriam entrado no ambiente. A jovem relatou que havia concordado que eles permanecessem no cômodo desde que não houvesse contato físico, condição que, segundo seu depoimento, não foi respeitada. Após o ocorrido, a vítima procurou a 12ª Delegacia de Polícia, em Copacabana, para registrar a ocorrência e foi submetida a exame de corpo de delito. O laudo pericial apontou lesões compatíveis com violência física em diferentes partes do corpo. Materiais biológicos também foram coletados para exames laboratoriais e análise genética.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro apresentou denúncia contra os investigados por crime cometido com participação de mais de uma pessoa. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro expediu mandados de prisão preventiva contra os suspeitos adultos por meio da 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes. A Polícia Civil deflagrou a operação “Não é Não” para cumprir as ordens judiciais. A repercussão do caso também levou instituições ligadas aos investigados a adotar medidas administrativas. A reitoria do Colégio Pedro II e a direção do campus Humaitá II afastaram dois dos acusados — o adolescente e Vitor Hugo. A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) suspendeu por 120 dias o estudante Bruno Felipe. Já o Serrano Football Club afastou João Gabriel de suas atividades esportivas e rescindiu o contrato com o atleta. As investigações seguem em andamento sob responsabilidade da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
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