A descoberta de um bunker utilizado para armazenar toneladas de maconha no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, evidenciou não apenas a dimensão da logística do tráfico de drogas, mas também o papel estratégico de cães farejadores em operações de alta complexidade. No centro da ação está um pastor-belga-malinois treinado pelo Batalhão de Ações com Cães (BAC), cuja atuação foi determinante para a localização do esconderijo subterrâneo.
Durante a operação, agentes realizavam varreduras em um galpão aparentemente comum quando o animal passou a indicar, de forma insistente, um ponto específico do terreno. O comportamento chamou a atenção da equipe, que decidiu aprofundar a inspeção no local. Sob uma estrutura de concreto, os policiais encontraram uma cisterna adaptada que ocultava um bunker cuidadosamente construído para armazenar grande quantidade de entorpecentes. A apreensão é considerada uma das mais expressivas já registradas no país, tanto pelo volume quanto pelo grau de sofisticação do esconderijo. A estrutura subterrânea, projetada para dificultar a detecção, revela a capacidade de adaptação de organizações criminosas, que investem em soluções cada vez mais complexas para ocultar drogas e driblar a ação das forças de segurança.
Treinado desde filhote, o cão integra uma linhagem reconhecida pela disciplina, inteligência e elevado desempenho olfativo — características que fazem do pastor-belga-malinois uma das raças mais utilizadas por forças policiais ao redor do mundo. Seu preparo inclui a identificação precisa de odores de entorpecentes e explosivos, mesmo quando ocultos sob camadas de concreto, terra ou água. A atuação do animal também evidencia a importância da integração entre condutor e cão, uma relação construída ao longo de treinamentos intensivos. A leitura correta dos sinais emitidos pelo farejador foi essencial para o sucesso da operação, transformando um indício aparentemente discreto na chave para uma das maiores apreensões recentes.
Especialistas em segurança pública destacam que, em cenários urbanos densos como o da Maré, o emprego de cães farejadores amplia significativamente a capacidade de detecção das equipes policiais. Em muitos casos, esses animais são capazes de identificar evidências invisíveis aos métodos tradicionais de investigação, tornando-se peças centrais no enfrentamento ao crime organizado. O episódio reforça, ainda, o papel silencioso, porém decisivo, desses animais nas operações cotidianas. Mais do que apoio tático, eles frequentemente são responsáveis por descobertas que redefinem o rumo de investigações e expõem estruturas clandestinas que permaneceriam ocultas sem a precisão de seu faro.









