Abaixada a poeira como só o tempo é capaz de fazer, temos de ser justos: um dos (únicos) acertos de Manuela Dias foi ter escalado este monumento chamado Débora Bloch para interpretar este outro ícone da teledramatugia nacional que é a Odete Roitman. E mais ainda, tê-la colocado como moradora do Copacabana Palace. Camadas sobre camadas de ícones e de luxo, cada uma dando mais sentido à outra. 
 
Já falei aqui desta novela tão seminal para entender o Brasil e desta vilã que por mais que não reconheçamos, guarda um pouco de todos nós. No entanto, dona Odete vive e longe de ter sido morta por aquela sonsa lá, (e falsamente por aquele outro sonso, no remake) segue serelepe, livre, leve e solta pela zona sul da Cidade Maravilhosa. Falo com conhecimento de causa: a vi com estes próprios olhos amendoados, os belos olhos negros d'Os Maias (como poetizou o Eça) que em um dia beeeeeeem distante, a terra há de comer. Não só conheci a Odete real como tive o prazer - será mesmo?  - de partilhar alguns momentos em sua companhia em uma mesa com ela bem ao lado do calçadão da Avenida Atlântica. 
 
Dona Odete não se demorou a chegar, sempre de acordo com a pontualidade europeia com a qual é tão alinhada. Tão sem demora despejou também os impropérios contra todos nós, estes responsáveis por fazer a sua fama - e ela deitou mesmo na cama. Entre uma caipirinha e outra, ouvi dela que o Rio não passava de uma "aldeia de pescadores" fincada bem no meio desta "América Latrina". Aqui, faço questão de destacar: são palavras de Dona Odete, não minhas. 
 
Não quero ser cruel, ou indiscreto nem tampouco traiçoeiro com as confidências feitas por Mme. Roitman depois de testemunhar um pôr do sol épico no Arpoador. Porém a necessidade do ofício exige e a minha consciência é salva por contar o milagre, mas temendo processos, guardar o nome do santo. Dona Odete, depois de uma passagem de alguns anos pelo Planalto de Piratininga, fixou-se na nossa ex-capital e em quase três décadas, ficou íntima de alguns daqueles a quem todos nós conhecemos bem das tardes e noites novelecas oferecidas pela Vênus Platinada - e mais não revelo, nem sob tortura.
 
Para finalizar, desejo para Dona Odete toda a sorte do mundo na sua nova empreitada, a mudança definitiva para uma capital da Europa, para onde ela, de mala e cuia, pretende se instalar  - adianto: não é Paris. E estou certo de que antes de entrar no Boeing da Lufthansa, ela tirará os Louboutins dos pezinhos e os sacudirá para como a outra lá, não levar nem a poeira desta terra tupiniquim.